quarta-feira, 8 de abril de 2015

A $orte esta lançada!

Muita gente acha que, se a gente se esforçar, consegue tudo o que quer e mais alguma coisa. E se a gente não consegue? Bem, então não estamos nos esforçando, dã. Para essa turma, a fé move montanhas, querer é poder, a esperança é a última que morre e blá-blá-blá. Quem não realiza seus sonhos é um preguiçoso e os infelizes são infelizes porque cavaram sua própria sepultura. Beleza. Acho até dinâmico pensar assim – embora sem exagero e sem simplificar tanto as coisas. Mas o ponto é: no meio de tanta auto-suficiência, onde foi parar o trevo de quatro folhas?

Não sei se você tem ou já teve um. Eu, quando era criança, não só tinha como acreditava que ele me trazia uma sorte danada. Levava comigo também um pé de coelho, que ganhei numa festa junina – aquele sim, trazia toda a sorte do mundo! Menos para o coelho, é claro. Eu também acreditava em cristais, e em não deixar um gato preto passar na minha frente, e em não passar debaixo da escada etc. Tudo com o mesmo propósito: chamar a sorte. Com ela ao meu lado, seria mais fácil conseguir tudo o que eu queria! No caso, “tudo o que eu queria” devia se resumir a mais CD's de jogos pro meu PS1, mas ok, respeite os sonhos alheios!

Bem, fui crescendo e ouvindo por todos os lados que essa história de sorte era uma bobagem e que, se eu quisesse algo, precisava fazer acontecer. Todo o meu arsenal sortudo ficou no fundo do armário, junto com meus papéis de carta (ai, eu adorava! Tinha de todas as cores e com todos os desenhos. Saudade! Enfim, continuando). Se dar bem não era mais sinônimo de sorte, mas de mérito, e fracassar não era azar, mas incompetência. Foi como se o mundo tivesse colocado uma mochila de uma tonelada nas minhas costas. E eu ainda tinha a mochila da faculdade para carregar!

Acontece que, um dia, numa feirinha, vi uma banca de cristais. Estava lá uma ametista roxinha, igual a uma que eu tinha quando criança. Tão fofa! Comprei. Para quem não sabe, parece que essa pedra é tipo a rainha das pedras e neutraliza energias negativas. Na boa, eu não consigo neutralizar energias sozinho
. Comprei a pedra. Não fiz contas para medir o aumento de energia positiva na minha vida, até porque não sei fazer essa conta, mas eu e ela nos damos superbem. E quer saber? Vou providenciar um trevo de quatro folhas também. Não vou procurar num jardim, é claro (já tentou? Eu tentei por anos!), mas comprar numa feirinha. Estou até pensando em doar meu gato preto. Ok, zoando: não tenho um gato preto.

Fica a pergunta: será que nosso sucesso ou fracasso só depende de nós mesmos? A sorte não precisa ter a forma de um gnomo, um anjo ou sei lá o quê, e vai saber se ela curte uma pedra mesmo, mas talvez ela exista e deixe as coisas um pouco mais fáceis. Quem sabe ela não ajuda a gente a estar na hora certa no lugar certo, e arruma os acontecimentos de forma a ocorrerem da melhor maneira? Aliás, já pensou se os tais acontecimentos já estão ordenados e a gente nem sabe? Se estivesse tudo escrito nas estrelas, o mérito podia até perder um pouco a graça, mas o fracasso ficaria levinho… Afinal, não foi culpa nossa! Será?

Sei não. Na dúvida, dou o melhor de mim. E não largo mais minha ametista.

10 comentários:

  1. Adorei que você voltou! Texto muito bom.

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    1. Obrigado Gabi (posso te chamar de Gabi?), que bom que gostou do texto.

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  2. ATÉ QUE ENFIM VOCÊ ESTA DE VOLTA, MAS NÃO VAI FICAR SÓ NESSE TEXTO NÃO NÉ?

    SAUDADES...

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  3. Rita de Cassiaabril 08, 2015

    CARACAAAAAAAA... que coisa, eu tenho uma ametista Roxa também. kkkk

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    1. Jura Rita? kkkk... eu tanho ate os papeis de cartas acredita? Podemos marcar de trocar, quem sabe!?

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  4. Uhuuuul, voltou... Volta com o Top 10 também. Eu amo.

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    1. Pode deixar, vou bolar uns bem bacanas.

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  5. Aê... o campeão voltou, cara tu tem um potencial maravilhoso de escrever. Faça isso pra viver, ganhar dinheiro.

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  6. Eu acho relativo essa teoria das sortes, acho que tudo vem dos nossos esforços.

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